Blog do DENNIS


MUDOU!!!

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Escrito por Dennis às 18h55
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Vitórias simbólicas na Copa

 

Dia 2 de julho de 2010, sexta-feira. O capitão da seleção holandesa, Van Bronckhorst, pouco antes da execução dos hinos nacionais de Holanda e Brasil, lê o seguinte texto:

"Em nome da seleção da Holanda, declaro que rejeitamos de todo o coração o racismo e todo tipo de discriminação dentro ou fora do campo. Confiamos no poder do futebol para unir homens e mulheres de todas as raças, religiões e nacionalidades. Nos comprometemos a perseguir este objetivo e pedimos a todos para que se juntem a nós na luta contra o racismo, onde quer que seja".

Na sequência, o capitão da seleção brasileira, Lúcio, leu o texto:

"Em nome da seleção do Brasil, declaro que nos negamos a tolerar qualquer forma de discriminação no futebol e apelamos a todos os que nos estão vendo hoje, onde quer que estejam no mundo, para que nos ajudem a erradicar a discriminação em nossa sociedade. Se todos nos unirmos, poderemos conseguir. Diga não ao racismo".

Os africanders, ou bôeres, são de origem holandesa. Foram  descendentes de holandeses que protagonizaram um dos regimes mais odiosos da história recente da humanidade, o apartheid na África do Sul. Regime que deixou Nelson Mandela na prisão de 1962 a 1990.

Em 2 de julho de 2010, no estádio de nome Nelson Mandela, um jogador holandês clama pelo combate ao racismo. O capitão da seleção do país com maior número de negros fora da África faz o mesmo. Foram textos lidos, preparados pela FIFA. Alguns podem chamar isto de pura encenação. Prefiro ver o simbolismo deste ato – um holandês clamar pelo fim do racismo, contrário a parte dos seus ascendentes que ajudaram a criar o apartheid. Um brasileiro clamar pelo fim do racismo, contra os vários que aqui ainda insistem negar a existência do racismo.

Pena que os jornais no dia seguinte da derrota do Brasil não falaram nada disto. O jornalismo esportivo ainda prefere os simbolismos dos tabus babacas: “faz tantos anos que o time tal não marca gols no primeiro tempo contra time sicrano”; “desde que o time A começou a jogar com a cor lilás, nunca venceu uma partida nos pênaltis” e por aí vai.

África do Sul e França

O jogo, quando realizado, pouco valia, pois as duas seleções precisavam de verdadeiro milagre para se classificar. A África do Sul saiu orgulhosa com sua vitória por 2 a 1 contra a poderosa França.

Naquela partida, tive o prazer de ouvir os dois hinos nacionais mais bonitos. O da França, a Marselhesa, um canto de guerra entoado pelos revolucionários de 1792 e simboliza a grande transformação humana no Ocidente no século XVIII – a construção da sociedade com base nos princípios da república, da democracia, do Iluminismo. O refrão diz:

Aux armes, citoyens, /Formez vos bataillons,/ Marchons, marchons !/ Qu'un sang impur/ Abreuve nos sillons !           

Às armas, cidadãos,/ Formai vossos batalhões,/ Marchemos, marchemos!/ Que um sangue impuro,/ Ague o nosso arado!

O Hino Nacional da África do Sul foi composto de várias canções diferentes, entre elas a popular canção entoada pelo Congresso Nacional Africano durante suas jornadas contra o apartheid e que virou a primeira parte do hino sul-africano:

Nkosi sikelel' iAfrika/ Maluphakanyisw' uphondo lwayo,/ AYizwa imithandazo yethu,/Nkosi sikelela, thina lusapho lwayo.

Deus abençoe a África/ Que suas glórias sejam exaltadas/ Ouça nossas preces/ Deus nos abençoe, porque somos seus filhos

Esta música simboliza a grande luta do povo sul-africano contra o apartheid e simboliza a grande figura que esteve presente no coração e mente de todos os participantes e espectadores da Copa do Mundo: Nelson Mandela.

P.S. – Quero com este post oferecer às pessoas um outro olhar sobre a Copa do Mundo livre de discussões sobre dungas, felipes melos, kakas, cebeefes etcétera e tal. Esta história de amor e ódio por times de futebol é uma constante e em uma próxima oportunidade irei falar sobre isto. Por enquanto, prefiro olhar este evento sob estes simbolismos que nos dão um certo otimismo – de que é possível construir um mundo melhor.



Escrito por Dennis às 22h06
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Quem é Didier Drogba?

Didier Drogba foi xingado pelo técnico Dunga, logo após a partida vencida pela seleção brasileira - o técnico brasileiro disse "Drogba de merda". No início do jogo, foi pisado na mão de forma desleal pelo zagueiro Lúcio - desleal porque todos sabem que o jogador marfinense estava contundido na mão. Em todo o momento da partida tensa, tentou apaziguar os ânimos. No final da partida, foi cumprimentar os jogadores brasileiros. Declarou a imprensa que a seleção brasileira mereceu a vitória e que faltou futebol para o seu time.

Drogba foi um campeão da serenidade, infelizmente ofuscado pelo ufanismo nacionalista e postura preconceituosa e racista de parcela considerável da mídia brasileira que não admite enfrentamento aos jogadores brasileiros por parte de oponentes do terceiro mundo - daí a raiva expressa contra os  times sul-americanos, principalmente a Argentina - e uma certa veneração aos europeus, Ouvi o comentarista Caio, da Globo, dizer que a "Itália não pode ficar de fora", logo após o vexaminoso empate do "campeão do mundo" com a poderosa Nova Zelândia em 1 a 1. Outro repórter da Globo chamar a torcida portuguesa de "povo amigo do Brasil"- como pode ser "amigo" o país colonizador?

Mas porque Drogba teve este comportamento? Algumas informações:

- Didier Drogba lançou, junto com Koffi Anan, o Guia Alternativo da Copa do Mundo, em que analisa as diferenças sociais e econômicas dos países que disputam o mundial e apresenta propostas de como as relações podem ser mais equilibradas na política internacional (veja abaixo a apresentação em português) - para ter acesso ao guia, clique aqui.

- Didier Droga, junto com o franco-argelino Zidane, embaixadores do Programa da Boa Vontade do PNUD/ONU, lançaram um spot de TV chamando todos para o combate a pobreza. Diz Drogba: "Não pode haver espectadores na luta contra a pobreza. Nós todos precisamos estar em campo para melhorar a vida de milhões de pessoas pobres no mundo". Para ver o spot, clique aqui.

- Didier Drogba mantém uma série de projetos sociais de atendimento a crianças na Costa do Marfim e na África, participa de campanhas para erradicação da malária no continente africano. Veja no site oficial de Drogba, clicando aqui.

Enquanto isto, Kaká, o jogador que se colocou como vítima do último jogo e vem sendo tratado como tal pela mídia brasileira, prefere ajudar uma organização criminosa que se traveste de religião e cujos líderes foram presos nos Estados Unidos.

Saudades do Pelé que, pelo menos, dedicou seu milésimo gol às crianças pobres do Brasil. Parece pouco, mas muito mais sensibilidade social que o atual camisa dez da seleção tinha. Sem contar que muito - mas MUITO - mais futebol.

Drogba disputa bola com Gilberto Silva na partida Brasil 3x1 Costa do Marfim em 20/06/2010



Escrito por Dennis às 22h58
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Este é Didier Drogba

IIntegra da apresentação assinada por Drogba e Koffi Annan do Guia Alternativo da Copa do Mundo

"Bilhões de pessoas estão animadas com a Copa do Mundo. Assim também nós - e não apenas porque os nossos dois países estão disputando com força este torneio. Os jogos são uma vasta tapeçaria de cores, ruídos, talento, a competitividade e o suspense desportivos, e o drama humano, dentro e fora do campo. Acima de tudo, eles são torcedores.
Vai ser divertido - para as equipes e espectadores do mundo inteiro, assistir ou ouvir ao vivo, a partir de cafés, bares, salas, telas e rádios públicas, no centro e nos cantos mais remotos da terra.
A Copa do Mundo unifica o planeta de forma mais eficaz do que qualquer tratado ou convenção. Ela afirma nossa humanidade comum, num momento em que as notícias parecem mostrar o oposto. Por um momento, podemos colocar de lado, as catástrofes e as guerras, o preconceito e a intolerância. O esporte, como a música, derruba barreiras, questionando os estereótipos. Deixa-nos dançando e celebrando.
A diversidade de equipes, e os países que eles representam, é o que faz da Copa do Mundo um evento tão grande. As muitas diferenças entre eles pouco importa uma vez que o jogo iniciado. Mas enquanto cada equipe representa as aspirações de milhões de seus concidadãos, cada um enfrentou caminhos diferentes para chegar lá.
O objetivo deste guia é para ilustrar um aspecto destas jornadas - as circunstâncias extremamente diferentes  das equipes africanas e dos países que as irão enfrentar - em termos de seu desenvolvimento e das relações entre as nações. Como mostra este guia, alguns países são relativamente ricos, outros pobres. Eles enfrentam desafios comuns, e lutam contra problemas comuns que unem ambos, mas os dividem.
Temos visto uma e outra vez como o esporte pode ajudar a superar os conflitos mais profundamente enraizados e tensões  dentro dos países. Aqui na África do Sul, o Rugby World Cup 1995 ajudou a unificar o país e curar as cicatrizes profundas do passado. Nosso sonho é que o desporto pode ajudar a preencher as lacunas e superar as diferenças entre nações e mesmo continentes.
O fato é que muitos países africanos e os países em desenvolvimento ainda estão em grande desvantagem. Eles não são considerados aptos a competir internacionalmente em condições de igualdade, com um árbitro imparcial e um conjunto claro de regras e regulamentos acordados. Longe disso, na verdade, eles estão sendo penalizados. O que seria um escândalo no mundo do futebol ainda é comum na sociedade das nações.

Estes países não são responsáveis pelas alterações climáticas, mas estão sofrendo seus piores efeitos, tornando a vida muito mais difícil, insalubre e perigosa para milhões de pessoas. As regras globais de comércio, tecnologia, finanças, migração e os direitos autorais tornam os planos de crescimento das suas economias e de luta contra a pobreza, de certificar-se
que todos tenham o suficiente para comer e um atendimento decente de saúde muito mais difícil. Como resultado de regras abusivas, as metas do Plano de Desenvolvimento do Milênio é uma busca muito mais difícil que deveria ser. Jogadores e torcedores, seja de Midrand, Manila, Manchester ou Montevideo, todos compreendem a importância do fair play e de um árbitro imparcial. Nós acreditamos fervorosamente que este entendimento não deve ser limitado
para os países na forma de jogar, correr e marcar gols uns contra os outros, mas também a maneira como fazem negócios e política uns com os outros, que o espírito da Copa do Mundo deve se estender nas relações políticas e econômicas entre os países,que a celebração de nossa humanidade comum não deve ser limitada a um mês a cada quatro anos.
Neste espírito, nós esperamos que este guia irá, de forma modesta, alertá-lo para uma outra dimensão da Copa do Mundo, e talvez torná-lo mais fácil para canalizar a  boa vontade que ela representa para construir um mundo mais justo."



Escrito por Dennis às 22h34
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Autoridade pela palavra e não celebridade

José Saramago (1922-2010)

 

José Saramago é uma daquelas pessoas cujas palavras são imprescindíveis para proporcionar-nos um olhar diferenciado da vida. Cutucando as feridas do senso comum, como afirmar que “Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós” sobre as ações do Estado de Israel contra os palestinos, foi acusado de anti-semita por entidades judaicas. Lembra Todoróv em “A Lógica do Pior”, autor que critica o uso (e abuso) da condição de vítima para, centrada em sentimentos de frustrações, justificar toda e qualquer atitude.

Em tempos da ditadura do discurso único do deus mercado, proclama-se comunista.  Ser-se comunista é um estado de espírito. (...) Sou comunista. (...) [Mas] São os fatos que mostram: setenta anos de construção do socialismo na União Soviética não chegaram para fazer comunistas."

Em 2005, quando participei do Fórum Social Mundial, estava jantando na famosa, cara e horrorosa Churrascaria Fogo de Chão, na Avenida Cavalhada, em Porto Alegre e vi Saramago com um colega. Foi extremamente importunado por presentes que queriam tirar fotografias junto com ele, até que, incomodado, teve que encerrar o seu jantar mais cedo. Eu, naquela noite, estava acompanhado da minha então companheira Conceição e por sermos negros, fomos extremamente mal atendidos e a toda hora com um garçom imbecil perguntando se a gente queria a conta. Nossa presença incomodava e os demais presentes incomodavam Saramago.

Saramago teve que sair por que há uma classe média pop-cult que não consegue entender a diferença entre uma autoridade (que se legitima pelo que faz, no caso dele, a palavra) e celebridade (que se legitima pelo que o colunista Francisco Bosco, da revista Cult, chama de fama tautológica, é famoso porque a mídia dá visibilidade).

Em tempos atrás, a intolerância  fez com que tivesse que se “auto-exilar” em Lanzarote, embora ele mesmo não goste da palavra exílio: "A palavra é demasiado dramática. Se estou aqui, isso se deve a uma decisão absurda, estúpida do governo [português] de então [chefiado pelo ex-primeiro ministro António Cavaco Silva], em 1992, quando um subsecretário [António Sousa Lara] de Estado da Cultura - imagine, da Cultura... - decidiu que um livro meu, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, não podia ser apresentado como candidato ao Prêmio Literário Europeu, porque, segundo ele, ofendia as crenças religiosas do povo português. Fiquei bastante desgostoso, indignado - e foi nessa altura que a minha mulher me disse: "Por que nós não fazemos uma casa em Lanzarote?"

Incômodo, incompreensão, ao qual Saramago fala em Poema a boca fechada:

Não direi:/Que o silêncio me sufoca e amordaça./Calado estou, calado ficarei, /
Pois que a língua que falo é de outra raça
.

O que não o impede de se indignar: "Aqui na Terra a fome continua, / A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Para, como ateu convicto, afirmar peremptoriamente:

“(...) não acredito na vida eterna, embora vá inventando formas de dar-lhe alguma eternidade à vida. Quando invento [em Todos os Nomes] uma conservatória [arquivo do Registro Civil] onde estão todos os nomes e um cemitério onde estarão todos os mortos, no fundo é uma forma de dar eternidade àquilo que não é eterno, ou pelo menos dar-lhe permanência. Se não fosse essa história do meu irmão, talvez escrevesse um livro chamado Todos os Nomes, mas seria outro totalmente, porque a minha busca dos dados referentes a ele é que me leva, no romance, a dar numa conservatória. Parece haver uma espécie de predestinação em tudo aquilo que faço. Há coisas que acontecem e que suscitam outras idéias, portanto é tudo uma questão de estar com atenção ao modo como essas idéias se desenvolvem. Algumas delas não têm saída, mas há outras que encontram seu próprio caminho. Não escrevo livros para contar histórias, só. No fundo, provavelmente eu não seja um romancista. Sou um ensaísta, sou alguém que escreve ensaios com personagens. Creio que é assim: cada romance meu é o lugar de uma reflexão sobre determinado aspecto da vida que me preocupa. Invento histórias para exprimir preocupações, interrogações...” (Entrevista concedida a revista Playboy em 1998).

Muitos do que dizem lamentar a morte de Saramago ou derramam lágrimas de crocodilo ou querem apagar a sua autoridade da palavra pela celebridade da imagem.



Escrito por Dennis às 11h19
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A Taça do Mundo é deles...

 

Joseph Blatter (presidente da FIFA) e Jacob Zuma (presidente da África do Sul) abrem oficialmente a Copa do Mundo em 10/06/2010

A FIFA anunciou que obteve um lucro de 196 milhões de dólares no ano passado e vai distribuir dividendos as federações nacionais filiadas. O presidente Joseph Blatter fez este anúncio um pouco antes de declarar que é candidato à reeleição. Detalhe: a eleição da FIFA é feita pelo voto dos representantes das 202 federações nacionais filiadas - isto significa que o voto da Federação de Futebol de Barbuda tem o mesmo peso que o voto da CBF. Por isto, uma das confederações continentais que tem mais peso na FIFA é a obscura Concacaf (Confederação Norte, Centro-Americana e do Caribe de Futebol) que reúne países da América do Norte, América Central e três países da América do Sul (Guiana, Guiana Francesa e Suriname). É tão importante a Concacaf para o futebol mundial que a segunda força - depois do México - é a poderosa seleção dos Estados Unidos, aquela mesma cujo craque se chama Carlos Fuentes (um nome bem comum nos EUA) e que quando joga em casa, nos EUA, a torcida contra é sempre maior - acho que até o Juventus (da Móoca, não o de Turim) teria mais torcida.

Imagina quantos votos tem a Concacaf (eu nem sei quantos países, ilhas, protetorados, etc têm no Caribe!). Por isto, esta confederação conta com um peso extraordinário no conselho da FIFA e o seu presidente, Jack Warner, é um dos homens fortes de Joseph Blatter. Segundo o jornalista David Garcia "Warner, homem de uma fortuna pessoal avaliada de 15 a 30 milhões de euros, cobra alto pelo seu apoio. Em 1999, a FIFA renunciou a uma cobrança de cerca de 9,5 mihões de euros da Concacaf. E em 2002, o presidente da federação de futebol de Antígua e Barbuda, Chet Geene, pediu uma mãozinha à matriz para financiar o Centro de Desenvolvimento do Futebol Jack Austin Warner (isto mesmo, o nome do cara!), um cheque de 161.439 dólares veio diretamente de Zurique. Um ano mais tarde, o jornalista Andrew Jennings foi ao local do centro e, em vez de campo de futebol, descobriu cavalos pastando perto da carcaça de um caminhão de entrega de cerveja".

A FIFA exige que o país sede da Copa do Mundo garanta "território livre" para circulação de recursos e produtos, sem qualquer ônus fiscal, para o seu staff. Isto significa que durante a Copa do Mundo, o país se transforma em um "protetorado de livre comércio" para os dirigentes da FIFA, sem qualquer possibilidade de controle governamental. É uma cessão da soberania, uma verdadeira intervenção de uma multinacional cujos negócios são obscuros e sua rede se assemelha a algo mafioso. Juca Kfouri comenta; "Se o Brasil quer receber uma Copa do Mundo, o brasileiro tem que estar consciente de que vira zona franca para a FIFA durante quatro anos. Nada do que diz respeito à FIFA  e aos seus produtos é taxado." Mais: todos os contratos de publicidade referente a Copa do Mundo são centralizados na FIFA. Na Copa da Alemanha, por exemplo, chegou-se ao absurdo de que a única marca de cerveja permitida nos estádios era da norte-americana Budweiser, porque era a patrocinadora da copa. Isto em um país famoso pelas marcas de cerveja- os alemães foram obrigados a tomar uma cerveja norte-americana! Já pensou no Brasil você ser obrigado a tomar Budweiser no intervalo dos jogos e não poder saborear uma Brahma? Acostumem-se: ao invés de chegar no boteco e pedir "Dá uma Brahma!", aprenda: "Chefia, salta uma Bud" - não soa bem!

Tudo isto vai acontecer em um país que a maior torcida - 25% dos brasileiros - é... DE NENHUM TIME! Os que não torcem para ninguém supera a torcida do Flamengo (17%) e Corinthians (14%). E mais, a pesquisa do Lance-IBope detectou que 90% dos torcedores deixaram de ir aos estádios! Enquanto isto, jogadores são vendidos por preços absurdos, cuja cotação é totalmente subjetiva. Como se define o valor de um jogador, se é 100 milhões de euros ou 120 milhões, etc? Qual é a base para definir estes valores? Como se definem as cotas de patrocínio, de transmissão da televisão, etc - tudo isto que movimenta o riquíssimo mercado de futebol? São definições acertadas em um grupo de cartolas, de empresas da indústria de entretenimento, de patrocinadores, empresários de jogadores, todos a revelia do grande público que chora pelo seu time ou pela sua seleção, que gruda os olhos na telinha e que vai ser obrigado a engolir uma Budweiser em 2014 - tudo com isenção fiscal e apoio do dinheiro público.



Escrito por Dennis às 11h48
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UMA ELITE VIRA LATA!

Os fatos parecem estar conspirando contra os desejos ideológicos da mídia hegemônica. Depois de ensaiar uma certa "comemoração" com um aparente "fracasso" das negociações do governo brasileiro no Irã, eis que surge a bomba da carta do presidente dos EUA, Barack Obama, com termos exatamente iguais aos que foram acordados em Teerã. E a notícia surgiu na insuspeita Reuters. Até o colunista da Folha de S. Paulo Clóvis Rossi, que não nutre simpatia nenhuma pelo atual governo, ficou indignado com a postura dos EUA. A partir daí, a cobertura do fato foi esfriando-se, pois era difícil criticar a postura do governo brasileiro a não ser que se aliasse aos "falcões" dos EUA que distribuíram artigos nos jornais estadunidenses dizendo que qualquer acordo com um país "do mal" era inaceitável. O problema, então, não é impedir a proliferação de armas nucleares, mas sim isolar as nações que não se alinhem automaticamente ao Tio Sam. Como a lógica do Jack Bauer, no 24 horas - é permitido torturar, matar, mentir, invadir territórios soberanos e desrespeitar qualquer norma ou regulamento, desde que seja a favor do "bem" (leia-se EUA).

No final de maio, realizou-se, no Rio de Janeiro, o III Fórum da Aliança das Civilizações, organização vinculada a ONU que conta com mais de 100 nações com objetivos de estabelecer um diálogo construtivo a favor da paz com base no respeito à diversidade cultural dos povos (nos termos expressos, por exemplo, na convenção da diversidade da Unesco, da qual o Brasil é signatário). Participei deste evento e as falas oficiais apontam o Brasil como um ator fundamental na construção da paz mundial. Representantes de entidades governamentais e não governamentais de nações do Oriente Médio e islâmicos estiveram em peso neste encontro. Um show de diversidade de experiências. Projetos de documentários produzidos por moradores na Faixa de Gaza demonstram o cotidiano deste povo que sofrem as consequências da histórica agressão do Estado de Israel. No Líbano, grupos de mulheres lésbicas se articulam usando as novas tecnologias (blogs, facebbokk, entre outras). Sem contar os esforços da Al Jazeera para demonstrar ao mundo um outro olhar sobre o Oriente Médio, diferente da visão preconceituosa que a mídia ocidental trata. Este evento importante, que reuniu vários chefes de Estado, ONGs, personalidades a favor da paz e do interculturalismo foi solenemente ignorado pela mídia hegemônica.

Para piorar, o caso do ataque de Israel ao grupo de ativistas humanitários em águas internacionais, um desrespeito a todas as normas do direito internacional. O fato absurdo, bem como a postura de Israel de taxar os ativistas de "terroristas" e negar qualquer tipo de condenação, desmascarou a situação das potências que ainda insistem em apoiar um Estado que faz da ação terrorista o seu modus operandi, que tem desrespeitado sistematicamente todas as normas das Nações Unidas e pratica um cruel genocídio contra o povo palestino. Os EUA e seus aliados formais e informais ficaram em uma situação incômoda, principalmente em um momento que querem radicalizar contra o Irã. Mais ainda com a presença de vários cidadãos de países ocidentais entre as vítimas da agressão israelense.

No dia 1o. de junho, o ministro Celso Amorim depunha na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Sua exposição, como de hábito, foi brilhante. Os fatos criaram uma conjuntura extremamente desfavorável para a oposição que não tinha argumentos para criticar a posição do governo brasileiro, a não ser aquilo de sempre - "não há outras prioridades?", "por que o Brasil tem de se meter nestas coisas complicadas?". O autor do requerimento, um senador do DEM até saiu da sessão e deixou para o tucano Eduardo Azeredo - o mesmo do mensalão tucano - a inglória tarefa de tentar contraditar o ministro, o que o fez de forma extremamente tímida, incômoda e sem graça. Amorim respondeu tranquilamente que uma nação que faz parte do Conselho de Segurança da ONU tem a obrigação de trabalhar pela paz que é um princípio da carta das Nações Unidas e não apenas ir às sessões para votar e também que o Brasil tem que deixar o seu complexo de "vira-lata" (conforme Nelson Rodrigues) e reconhecer sua importância.

No fundo, o incômodo da elite brasileira é justamente o fato do Brasil estar saindo do complexo de vira-lata, demonstrando seu potencial internamente e externamente e tudo isto protagonizado por uma pessoa oriunda das classes populares. Enfim o complexo de vira-lata não é do povo, mas da elite brasileira, aquela mesma cujos filhos se orgulham de passear na Europa e olham com desdém, nojo, pena e/ou superioridade para negros, índios, mulatos, caboclos que insistem em sobreviver numa nação onde foram e são historicamente discriminados e excluídos.



Escrito por Dennis às 13h53
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Viva o politicamente incorreto no futebol!

Vou dar um refresco nas questões políticas internacionais para falar um pouco de futebol, depois de ter vibrado ontem à noite com a grande vitória do Santos sobre o Grêmio por 3 a 1, com três golaços de Ganso, Robinho e Wesley. Após a partida, observei alguns comentários e entrevistas, principalmente a polêmica envolvendo a narração de um locutor da Rádio Bandeirantes AM de Porto Alegre que falou que a dança seria do "elimination". A narração foi passada pelo técnico Dorival Júnior para mexer com os brios dos jogadores santistas e todos eles, após o final da partida, comentaram raivosos sobre isto. Parece que deu certo.

Não vejo nada demais nisto. A graça do futebol é a brincadeira, a gozação. O cara é um locutor de uma rádio de Porto Alegre, normal torcer para o Grêmio, da mesma forma que os locutores de rádios daqui de São Paulo tentam esconder, mas não conseguem, suas torcidas para o "trio de ferro" paulistano, em especial o São Paulo e o Corinthians. E, não ouço, mas certamente os locutores das rádios de Santos fazem o mesmo com o alvinegro praiano. Aliás, estou de saco cheio deste "politicamente correto" que impera no futebol: jogadores bonzinhos com falas ensaiadas ("vamos respeitar o adversário, a gente vai se esforçar, o professor pediu para a gente se dedicar, é um grande time" e por aí vai).

Fruto deste "politicamente correto" falso é que alguns torcedores, jogadores e técnicos de outros times sentem-se incomodados com o futebol dos meninos da Vila. Chamam o jogo de dribles, firulas, toques rápidos, de "desrespeito ao adversário". Consideram as comemorações com as dancinhas (que eu, particularmente, acho uma baboseira, mas é problema deles) de provocação. E concluem que os jogadores mais técnicos, Neymar a frente, são mascarados. Aliás, é interessante como há uma construção de uma certa unanimidade (burra como diria Nelson Rodrigues) de que Neymar é cai-cai, mascarado, etc., enquanto que o Ganso é cerebral, é o craque - talvez porque tenha um comportamento mais palatável a este "politicamente correto".

Renato Maurício Prado, comentarista do Sport-TV do Rio de Janeiro, dizia ontem estar estupefato como tem muito brasileiro torcendo contra o time do Santos. Parece que o futebol bonito incomoda. E não é nem rivalidade, pois as equipes do Rio de Janeiro não tem nenhuma rivalidade com o Santos. Temo que a era futebol Dunga (aquele futebol que venceu a Copa de 1994 nos pênaltis e se classificou nas eliminatórias graças a genialidade do politicamente incorreto Romário) esteja contaminando a mente dos torcedores brasileiros. .



Escrito por Dennis às 11h21
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O mal estar, o incômodo e a frustração da grande mídia por conta do acordo Brasil-Irã-Turquia

Este final de semana foi cômico para a mídia conservadora que não conseguiu disfarçar o seu mal estar e incômodo com o acordo obtido pelo governo brasileiro com o Irã a respeito da contenda do programa nuclear da nação persa. Na sexta e no sábado, a tônica unânime da mídia hegemônica brasileira foi que o presidente Lula estaria "perdendo tempo", quie estava "arriscando a credibilidade internacional do país" ao tentar negociar com um governo já qualificado como "pária", "autoritário", "desequilibrado", entre outros.

No domingo, a Folha de S. Paulo estampou na matéria sobre o tema o título "Irã dá ao Brasil um polêmico protagonismo" com duas linhas finas: "Gestões de Lula conseguem reduzir isolamento de Teerã e adiar sanções na ONU, mas dificilmente resultarão em recuo iraniano" e "Esforços por acordo com país persa têm gerado críticas à política externa brasileira; presidente se reúne hoje com Ahmadinejad e Khamenei ". A matéria do jornalista enciado especial a Teerã, Sammy Adghirni começa com o seguinte lide: "A despeito do discurso otimista, a mediação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas conversas sobre o programa nuclear iraniano provavelmente não surtirá efeito"  As críticas citadas na linha fina vieram de um analista do jornal Washington Post e de um ex-assessor do governo dos EUA, Bill Clinton. Fontes dos EUA. país diretamente interessado em isolar o Irã por conta da sua estratégia geopolítica internacional que privilegia o enfraquecimento dos países adversários dos Israel e o fortalecimento deste (que, diga-se de passagem, possui armas atômicas).

O jornal O Estado de S. Paulo vai na mesma linha e busca apoio para esta posição na aparentemente insuspeita candidata do Partido Verde, a senadora ex-petista Marina Silva, que critica a tentativa de um diálogo com um "governo que desrespeita os direitos humanos".

Bem, chega o domingo à noite e o acordo é acertado entre Brasil, Irã e Turquia. A aposta no fracasso dá lugar ao ceticismo com misto de inveja e dor de cotovelo. O portal da revista Veja lembra que o Irã já "descumpriu" acordos anteriores e por isto, nada garante que este vai ser cumprido. Lembra ainda que o acordo está restrito a uma das usinas, mas a secretária Hillary Clinton acreditqa existir outras instalações nucleares no Irã. o portal da Veja só esqueceu de lembrar que o governo Bush também disse que o Iraque tinha armas de destruição em massa e por isto invadiu-o. As investigações posteriores mostraram que esta informação era falsa e tudo não passou de um pretexto para aquela guerra absurda.

Na mesma toada de ser cético - agora não quanto a fazer o acordo, mas sim quanto à eficácia do acordo - vieram Folha e Estadão. O jornalão dos Mesquita novamente usaram Marina Silva para reforçar o ceticismo: Para a senadora, a estratégia do Irã ao fechar acordos como o do ano passado e o atual é ganhar tempo. "É bom não perder a perspectiva histórica, de que aquele país tem perseguido a construção de artefatos nucleares e da bomba atômica. Há indícios que preocupam", avaliou (trecho da matéria publicada no portal Estadão hoje).

Na Folha on line, a forma de tentar reduzir a importância do acordo foi destacar o anúncio de que o Irã afirmou que irá continuar enriquecendo urânio a 20% (em uma linha final de um dos vários textos do portal UOL, é dada a informação - sonegada emn quase todas notícias -  de que para fazer uma bomba atômica é necessário enriquecer urânio a 90%!). Também repercutiu as opiniões céticas de "analistas internacionais" - sempre dos EUA e das potências nucleares européias, interessadas diretas em bloquear o acesso dos países em desenvolvimento à tecnologia nuclear, porém deu espaço para um articulista iraniano que deu uma visão diferenciada, enfatizando o papel importante de mediação do Brasil e da Turquia, vistos como países "amigos" do Irã, ao contrário dos demais membros do Conselho de Segurança da ONU.

O que chama a atenção nesta cobertura? Primeiro, o alinhamento ideológico da mídia conservadora a uma política internacional de submissão aos Estados Unidos e demais potências mundiais, criticando qualquer iniciativa internacional independente da chancelaria brasileira, em especial a geopolítica Sul-Sul. Segundo, a transformação do espaço de noticiário em lugar de manifestação explícita de opinião e uma "quase torcida" para que estas iniciativas da chancelaria brasileira fracassem e, quando dão certo, a recusa em reconhecer o erro de avaliação. E, terceiro, a postura desavergonhada de ocultação de informações (por exemplo, que este enriquecimento do urânio no Irã não é suficiente, nem de longe, para a fabricação de armas nucleares), de escolha ideológica de fontes (todas elas das grandes potências, em especial dos EUA) e a tentativa de construção de um consenso de que a ação política das "potências ocidentais" é o lado do bem e o Irã, o lado "mau".

E, travestidos de vestais do bem, os jornais pouco deram espaço - como dão, por exemplo, quando a China ou Cuba expulsam um dissidente político - ao fato de que Israel impediu o pensador judeu norte americano Noam Chomsky de fazer uma palestra em Ramallah porque ele é um crítico áspero da política israelense para os palestinos. Será que isto não é ataque à "liberdade de expressão" ou isto acontece só quando vem do Chave, do Castro ou do Lula?



Escrito por Dennis às 22h45
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Lula e o mal estar de uma esquerda tradicional

O ex-porta voz da preidência da República, André Singer, apresentou interessante estudo sobre as bases de apoio do que ele chama de “lulismo”, ou seja, a grande corrente social que dá sustentação ao presidente Lula, para além da base tradicional do PT. Comparando uma com a outra, Singer conclui que o “lulismo” traz como inovação a incorporação à esfera pública de uma grande massa do que ele chama de “subproletários”. Os subproletários são esta esfera de classe proletária que se insere no chamado mercado informal ou fica na franja da formalidade laboral.

Dois aspectos importantes desta questão. Primeiro, que esta massa de subproletários é uma tradição em um país marcado por uma transição conserv adora do sistema escravagista para o sistema capitalista entre 1850 e 1930, razão pela qual sustenta uma acumulação de riquezas em um modelo altamente concentrador de renda em um Estado de Mal Estar Social. Segundo, que esta situação se agravou nos anos 90 com a adesão do Brasil ao modelo do Consenso de Washington, com a pressão pela desregulamentação e a adoção do chamado Estado mínimo.

Entretanto, Singer chama a atenção que a incorporação deste segmento de subproletários significa também a ambiguidade em termos ideológicos, uma vez que este grupo social, ao contrário do proletariado clássico, vive em uma ambiência de desorganização, tem uma tradição de delegar ao lider a resolução dos seus problemas e encontra dificuldades de se colocar como sujeito coletivo alternativo. Por isto, há uma certa impressão de uma relação paternalista, diretiva, baseada muito no carisma e na liderança pessoal, situações que assustam parte da esquerda clássica.

Chico de Oliveira, intelectual clássico de esquerda, em entrevista à revista Cult deste mês chama do governo de Lula de um “retrocesso político”, de reconstrução de uma prática política típica da “República Velha”, apontando justamente este olhar sobre a s relações entre o atual governo e a sociedade. Lembra, com certa nostalgia, as bases tradicionais do PT formadas em um proletariado clássico, comparando com a atuação do governo Lula, bem distante daquela concepção de organização.

Em certo momento da entrevista, Chico de Oliveira se coloca como um intelectual público e que a tradição acadêmica do Brasil tem semelhanças com a francesa. Fico imaginando até que ponto que este mal estar de parte da intelectualidade de esquerda no Brasil deve-se a insuficiência desta tradição acadêmica ainda centrada em cânones europeus, construidos sob uma experiência societária e histórica bem distante da nossa, em que o Iluminismo – o mesmo que chegou com a forca para as Américas, segundo o poeta cubano Alejo Carpentier – é a grande referência de ruptura social (inclusive no documento mais revolucionário produzido no Ocidente, o Manifesto Comunista).

Algumas questões colocadas por Chico de Oliveira são importantes críticas do atual governo, como o não enfrentamento do capital financeiro, a aliança com a agronegócio que travou a reforma agrária e a timidez ante a necessidade de enfrentamento com a ditadura midiática. Além disto, outra crítica, mais voltada para o Partido dos Trabalhadores , é a perda de combatividade dos movimentos sociais que, à exceção do MST, viraram correias de transmissão do governo lulista. Porém, a crítica ácida de que o governo Lula é um retrocesso às práticas da República Velha cheira muito mais a um mal estar das insuficiências de um pensamento de esquerda europeu em entender os atuais processos políticos e apontar as possibilidades e limitações.



Escrito por Dennis às 20h19
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Viver a (qual) vida?

Além da escancarada campanha antigovernamental presente nós jornais da Globo, chama-me a atenção uma idéia que está sendo consolidada em um produto midiático de grande alcance que é a telenovela. Os pesquisadores do grupo de Mídia e Política da Universidade de Brasília já chamaram a atenção para o papel fundamental da telenovela na formação de idéias e percepções que têm impactos nos embates políticos.

A novela das oito, Viver a Vida, tem caminhado para um discurso da "superação" pelo voluntarismo individual. É assim com a personagem Luciana (personagem que virou um simulacro de ser humano ao possuir até mesmo um blog) que luta contra a paralisia dos membros; é também com a família de negros da qual faz parte a personagem principal, Helena (Thais Araujo), uma modelo que lutou e superou os preconceitos e conseguiu ascender às elites (ao contrário da sua irmã teimosa e tinhosa que foi parar no morro e morar com um traficante) e tudo é coroado com os depoimentos de superação ao final da novela. Pessoas aparecem contando os seus dramas, sempre brindados com choros e a superação dos mesmos, claro - sempre com o apoio de um "grande amor da vida" e coroados com filhos e uma "família feliz".

Um rosário de dramas, um maior que o outro, que faz o telespectador, sentado no sofá, pensar "tem alguém pior que eu"; e mais "que este pior que eu conseguiu superar, que lindo!" e ainda "porque estou reclamando dos meus problemas, olha aquele lá tá pior, lutou e conseguiu". A sociedade da competição incorpora agora a luta pelo drama mais profundo e pelo exemplo maior de superação. A cada capítulo. fico na expectativa a que ponto vai chegar o nível do drama relatado e sua superação.

Tudo isto ocorre dentro de paisagens belíssimas, seja a clássica panorâmica do Rio de Janeiro a partir do Cristo Redentor, seja de Búzios. O mito fundador de um lugar paradisíaco, não violento, cordial, de que fala a filósofa Marilena Chauí é recuperado brindado com a idéia de um "povo forte, que aguenta tudo, que supera a dor por si próprio" cuja emoção amorosa é a grande redentora de tudo. Opressões de classe, gênero e raça nem pensar. Concentração de riquezas, bobagem. Divisão classista do espaço urbano, como ocorre de forma escancarada no Rio de Janeiro, muito menos. Para que discutir e questionar proposições políticas se elas não afetam o meu modo de vida, ele é única e exclusivamente produto da minha capacidade de superação? Esta é a mensagem que a Globo passa na sua novela logo após os discursos direitistas veiculados no Jornal Nacional.



Escrito por Dennis às 21h47
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Terrorismo na telinha da Globo

Vamos ressuscitar o senador McCarthy, que tal recuperarmos os líderes da Marcha com Deus pela Família e pela Liberdade de 1964, os golpistas que enterraram o Brasil na cruel ditadura de 21 anos e todos os ditadores que mataram, torturaram e exilaram opositores nos anos 60 e 70 na América Latina e colocarmos nas telas da Globo? Acho que só assim o serviço fica completo dentro do rosto impassível com cheiro de cinismo dos âncoras, desculpem, anchormen, do Jornal Nacional e Jornal da Globo.

Com a queda do candidato da direita demotucana, a patinação da alternativa Marina Silva e o crescimento da candidatura de Dilma – sem nenhum fato novo à vista que possa mudar a curto prazo esta tendência – o jeito é apelar para o sentimento mais reacionário possível. Já vi esta história antes. Os defensores da “democracia” e “liberdade de expressão” o fazem até a página dois quando seus interesses são contrariados.

Hoje, dia 1º. de março, o JN passou dos limites. Primeiro, William Bonner, com voz um pouco acima do seu timbre normal, anunciou que o “governo da Espanha exige explicações do governo venezuelano diante das acusações de que ele teria colaborado com ‘terroristas’ da FARC e do ETA”. Um juiz espanhol acusou que o governo venezuelano facilitou os contatos entre estes dois grupos. Condenou um funcionário do governo da Venezuela, que é espanhol. O tempo dado para a acusação superou – e muito – o tempo da explicação do governo venezuelano. Em tempo: toda a matéria foi baseada na captação de uma agência inglesa – a Reuters, que chama o governo venezuelano de “radical de esquerda” – clique aqui para ver (mas não chama o presidente colombiano Alvaro Uribe de “direita” – veja aqui). E o repórter da Globo fez a sua matéria a partir da Espanha, claro! É muito mais perto ir para lá que para a Venezuela!

Logo depois, matéria sobre a posse do presidente eleito do Uruguai. O jornalista global Ernesto Paglia, em Montevidéu, fala da posse de José Mujica, um ex- militante dos Tupamaros chamado por ele de “grupo radical que praticou assassinatos e sequestros” . Na posse, estavam os "esquerdistas" Chavez, Morales e Lula (aparecem eles entrando com toda a pompa) e, distante, a presença da representante dos EUA. Os tupamaros foram um grupo guerrilheiro que combateu uma ditadura sangrenta no Uruguai, cujos torturadores eram treinados pelos repressores brasileiros, como bem mostra o belo filme de Costa Gravas, Estado de sítio.  Mas na matéria da Globo, aparecem como um bando de assassinos e sequestradores que queriam "tomar o poder pelas armas" (obviamente não respeitando a "democracia" dos milicos  que governavam o Uruguai não pela força das urnas mas dos choques elétricos dos paus de arara).

Duas matérias em sequência, associando esquerda com terrorismo em um momento que a candidata Dilma Roussef, ex-militante de grupos revolucionários que combateram a ditadura brasileira, sobe nas pesquisas. Isto cheira a discurso golpista. Sem proposta e atônitos, os conservadores na telinha já buscam o discurso do medo e do terror.

João Goulart foi chamado de comunista nos anos 60. O Brasil mergulhou em uma das ditaduras mais cruéis da sua história, ditadura esta que criou e se sustentou na tela da Globo.

Lula, em 1989, foi acusado de querer seqüestrar a poupança do povo e pintar a bandeira brasileira de vermelho. O Brasil foi governado por uma gangue de mafiosos, liderados por Fernando Collor, com apoio da Globo, primeiro e único presidente cassado por corrupção.

É este o discurso que vamos ver nesta campanha?



Escrito por Dennis às 23h21
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Para a direita, a culpa dos problemas é do indivíduo

Chama muito a minha atenção um viés cada vez mais moralista no discurso da direita. Sem projeto para o país, desmoralizada com o fracasso do projeto neoliberal – evidenciado com a crise econômica do ano passado – o moralismo é o último refúgio dos direitistas.

Fatos:

1 – O governo do Estado promulgou e propagandeia até a última gota de espaço a lei que proíbe o fumo em lugares públicos que tenham cobertura. Bombardeou – e é fortemente ajudado pela mídia com a divulgação de “estudos” sobre os riscos dos chamados “fumantes passivos” – a idéia de que a medida atende a saúde pública.

2 – A prefeitura de São Paulo, totalmente paralisada com as enchentes nos últimos meses na cidade, vem disseminando propagandas – e  é também fortemente auxiliada pela “cobertura jornalística” sobre comportamentos de pessoas que jogam lixo nas ruas – sobre a necessidade de se manter a cidade limpa, não sujar as ruas, etc.

O que tem em comum nestes dois fatos? A de responsabilizar o INDIVÍDUO por problemas que sã o de responsabilidade pública. As enchentes são de exclusiva responsabilidade das pessoas que jogam lixo nas ruas. A saúde é causada pelas pessoas que fumam. Forma-se, assim, uma “cruzada”  contra desajustados. A ação política de governos transforma-se em meras campanhas publicitárias.

Não estamos desconsiderando as responsabilidades individuais dos cidadãos perante os problemas locais. Não sou daqueles que acham que tudo é culpa do governo. Mas é preocupante quando há uma tentativa nítida de desviar o debate público de problemas coletivos para meros desvios de comportamento.

Qual tem sido a ação do governo Serra para melhorar a saúde? Há uma avaliação dos impactos no atendimento da privatização dos equipamentos de saúde que vem sendo imposta pelo atual governo estadual? Um silêncio da mídia que tem preferido divulgar estudos que mostram a melhoria da saúde da população com a proibição do fumo...

Até que ponto as enchentes são produto de uma ocupação descontrolada uma expansão irresponsável dos empreendimentos imobiliários, desrespeitando totalmente o Plano Diretor da cidade, frequentemente “flexibilizado” pela Câmara dos Vereadores, cuja maioria de integrantes teve suas campanhas bancadas irregularmente por uma entidade representativa dos interesses das construtoras? Outro silêncio midiático que prefere reverberar a campanha da prefeitura que joga a culpa das enchentes aos que jogam lixo nas ruas...

A propósito, matéria veiculada no SPTV: um "flagrante" do Globocop que pegou pessoal jogando lixo nas ruas do "Jaguaré, perto da USP, uma rua que não sei o nome", segundo a repórter da Globo. Clique aqui para ver.

Informação mais precisa: trata-se do Jardim São Remo, comunidade que historicamente sofre com o problema do lixo - a coleta tem problemas, tanto pela sua irregularidade como pelo fato de não haver um sistema que possibilite que os lixos que se acumulam nas casas situadas nas vielas estreitas onde não passa o caminhão possa ser coletado. O jornal Notícias do Jardim São Remo, jornal comunitário produzido há mais de 15 anos pelos alunos da ECA/USP, vem tratando deste assunto. A Globo só descobriu isto de forma denuncista, sensacionalista (pede para "prender" os que jogam lixo na rua) e sequer teve o cuidado de checar o nome do bairro.

É isto aí, favela e periferia na grande mídia só existe associada a uma palavra: transgressão.



Escrito por Dennis às 18h23
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DIÁRIO DE BORDO - PEQUENA CRÔNICA DE MINHA VIAGEM AO NORTE DO ES

Fiz uma viagem de uma semana ao norte do Espírito Santo com minha nova família. Ao contrário da “inundação” de São Paulo e Rio de Janeiro, o Espírito Santo vive uma estiagem de dois meses – segundo os moradores de lá, desde novembro não chove forte no estado. A paisagem comprova a informação: plantas, árvores, mato, tudo seco. O calor está intenso, só refrescado pelos fortes ventos que sopram nas praias capixabas.

Foi muito engraçado estar nas pousadas de Jacareípe, Linhares e Guriri (distrito de São Mateus) e assistir aos programas informativos de final de tarde na TV. Datena aparece na Band e dá a informação extremamente relevante para os moradores de lá que o trânsito em São Paulo está caótico (e aparece a imagem do helicóptero). Enquanto isto, o barman da pousada pega a sua bicicleta para ir pedalando até a sua casa no final de expediente. O Fantástico, da Globo, apresenta reportagem importante sobre os riscos de contaminação com a água da enchente.

Uma das coisas que mais aprecio no Espírito Santo é a moqueca capixaba que, ao contrário da versão baiana, não vai dendê e nem leite de coco. Aprendi a fazer com um colega meu, capoeirista do ES, chamado Cabral, quando estive em Vitória em 1991 para uma mesa sobre Zumbi dos Palmares, junto com o querido professor Clóvis Moura, já falecido. O Espírito Santo tinha eleito o primeiro governador negro na história, Albuíno Azeredo, do PDT.

Em Jacareípe, mandamos bala na moqueca que só não estava mais gostosa porque foi feita com cação ao invés do tradicional badejo. Só que em Guriri, mais perto da Bahia, a moqueca já é feita com dendê. Comemos uma maravilhosa em um restaurante pertencente a mãe de um ex-jogador da Portuguesa de Desportos, o Maurinho (jogou lá em meados de 1998) – foi ele que nos atendeu. Disse que abandonou precocemente a carreira aos 22 anos por um problema na região da bacia e hoje ajuda a mãe no restaurante em Guriri e o irmão, no Rio de Janeiro.

Eu e Camila, minha filha, não tivemos nenhum problema com o dendê. Eu, porque meu estômago é duro na queda e a Camila porque é filha de mãe baiana. Mas a Princesa Eliete, pretinha fina, passou mal e foi parar no hospital estadual de São Mateus. Fui comprar um remédio na farmácia e a atendente disse:

- Este problema de diarréia é por conta das enchentes, eu vi no ‘Fantástico’. A água que entra nas casas está contaminada, eles falaram pra gente tomar cuidado!

Fiquei pensando como é que pode uma diarréia causada no norte do ES que está dois meses sem chuva ser causada pela enchente, mas a verdade está com o Fantástico, da Globo.

Resolvido o problema de saúde da Eliete, tocamos para a última praia, Itaúnas, fronteira com a Bahia. Mais calor, mais seca e uma paisagem belíssima! À noite na pousada, Jornal da Band sendo transmitido e reportagem critica os “atentados à liberdade de expressão” que a emissora entende estar presente no Plano Nacional de Direitos Humanos ou nas políticas culturais do Ministério da Cultura. “A democracia está em risco”, vaticina sóbrio o comentarista Joelmir Betting (que admiro muito!). Fico pensando na liberdade de expressão do Bóris Casoy ao atacar de forma preconceituosa os garis. Ou da revista Veja chamando a grande filósofa Marilena Chauí de “vagabunda”. Interessante que pouco se comenta que as emissoras de televisão e de rádio são concessões públicas, pois o espectro eletromagnético no qual as ondas de transmissão delas passam é público. Ora, se é concessão, está sujeito a regras, como é o caso do transporte aéreo, do ensino privado, da telefonia, etc. Liberdade de imprensa não é liberdade de empresa!

Mas no sábado à noite, resolvemos dar uma volta na vila de Itaúnas e vimos uma movimentação no palco armado na praça central. Um ônibus com várias meninas dançarinas estava chegando para uma apresentação. O som instalado tocava algumas músicas e o locutor dizia com sua voz pausada e lenta na velocidade de moradores de lugares quentes:

- Senhores pais, por favor, controlem seus filhos para que eles não subam no palco!

A gente olhava de um lado e de outro e não via nenhum pai, só a criançada que saía aos borbotões de tudo quanto é lugar. O frenesi da criançada não entusiasmava o locutor que continuava com sua voz lenta:

- Senhores pais, por favor, controlem seus filhos para que eles não subam no palco!

Depois de um tempo, começa o espetáculo. O grupo é apresentado como “Espaço de Danças Orientais não sei o que”. Pelos trajes e pelo nome – “danças orientais” – imaginei que seria uma apresentação de dança do ventre. Sobem ao palco três casais, fazem uma mesura, o locutor liga o som e, para nossa surpresa, toca o maior forró. “Forró oriental”, quá, quá!

Depois sobe uma mulher que aparenta ser a líder ou professora do grupo e dança um tango. Aí vem outro grupo e faz uma dança indiana. Entre estas várias apresentações, chama a atenção a performance do locutor. Ele não é apenas um locutor, ele troca as músicas do som, arruma a iluminação manualmente, trocando os celofanes coloridos e alterando a direção dos spots e ainda toma conta de três crianças sentadas no palco que supus serem filhas suas ou de alguém do grupo de dança. E ainda controla a entrada dos vários grupos no palco e também dando os avisos:

- Senhores pais, por favor, controlem seus filhos para que eles não subam no palco!

O cara é um polivalente!

No final da apresentação, o grupo se despede e dá uma saudação árabe: Salam Aleikum! Dentro do nome “dança oriental”, coube tudo! Mas o principal é que tudo acabou em forró e o pessoal foi parar no “Buraco do Tatu”, espaço onde se apresentam os grupos musicais locais nesta vila que é considerada a capital do forró.

Fico imaginando como é difícil para certas pessoas poderem exercer o seu “direito de liberdade de expressão” tão enfaticamente defendido pela grande mídia, assustada em ter seus privilégios atingidos. Uma expressão que não fala de enchentes para quem vive na seca e nem de trânsito na marginal Tietê para quem anda de bicicleta na orla ou ainda do preço do dólar para quem está preocupado se vai ter peixe no dia seguinte para pescar. Ou que acha que cultura é aquilo produzido no circuito Rio-São Paulo-EUA-Europa.

Mas direito de expressão para quem tem a capacidade de sozinho ser produtor, sonoplasta, cenógrafo e segurança do palco e quem consegue fazer a fusão do forró com o Oriente e a Arábia. É por conta de pessoas e situações como esta que a vida vale a pena e que a gente consegue suportar os comportamentos e posições racistas, autoritárias e egocêntricas que reverberam nos meios de comunicação.

De vez em quando, é bom seguir o conselho do Gil: vamos fugir deste lugar...



Escrito por Dennis às 19h59
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Boris Casoy, uma triste história para o jornalismo

A história não deixa dúvidas de que o pseudojornalista Boris Casoy é um asqueroso. Entrou no comando do jornalismo pela porta da repressão: foi imposto como secretário de redação na Folha de S. Paulo (ou "Falha de S. Paulo" como diria Caetano Veloso, nos seus raros momentos de falas lúcidas) pela ditadura militar de Médici que acordou com o Frias para demitir o grande jornalista Cláudio Abramo do comando da redação. Atuou como o "censor interno" da FSP que, por exemplo, proibiu a cobertura da epidemia de meningite que assolou o país em 1975, responsável inclusive pela transferência dos Jogos Panamericanos de São Paulo para a Cidade do México.

Depois foi para a TV e inventou aquela bobagem do "é uma vergonha". Até aí ficou folclórico. Mas agora passou dos limites o seu preconceito. o Jornal da Band teve a idéia interessantíssima de entrevistar dois garis para desejar a todos um feliz ano novo. Uma imagem muito bonita, diferente, fora daquela assepsia tecnológica autocentrada da Globo. Mas que foi premiada com os comentários preconceituosos e nojentos deste imbecil do Casoy que disse: "que merda, dois lixeiros desejando feliz ano novo do alto das suas vassouras", "são o mais baixo da escala do trabalho" e vai por aí afora. O áudio saiu porque o técnico (santo técnico!!!) deixou o áudio aberto e o Casoy pensou que não est ava indo para o ar. Saia justa. No dia seguinte, o cara pede desculpas e disse que foi um erro técnico - só que ele deveria se RETRATAR deste pensamento absurdo, pois o problema não é o erro mas ele pensar desta forma. Como pode um jornalista que tem como função fomentar o debate público, informar a sociedade e garantir a plena democracia ter um pensamento destes?
Infelizmente este tipo de pensamento do Casoy não é exceção. As críticas que são feitas ao presidente Lula (Brasil), Morales (Bolívia), Chavez (Venezuela), Cristina Kirschner (Argentina) são muito mais movidas por preconceitos pelo fato dos primeiros serem oriundos de famílias humildes e, no caso da presidente Cristina, de ser mulher, do que uma crítica programática. O que incomoda, por exemplo, na história destas pessoas? Que são pessoas que VENCERAM as barreiras impostas pelas elites, que resgataram a auto-estima da população destes países. Estas pessoas não seguem os protocolos das etiquetas de uma elite que só se satisfaz com o consumo de bens e que tenta minimizar as suas dores de consciência com práticas religiosas que, desta forma, se assemelham a lágrimas de crocodilo.
Incomoda Casoy e seguidores que a tela do Jornal da Band seja ocupada por dois garis, trabalhadores essenciais a vida dos cidadãos (imaginem só a cidade de São Paulo UM DIA SEM VARREDORES DE RUA COMO FICARIA!) que deixam a condição de meros objetos, coisas, máquinas de trabalho para, por alguns instantes, SEREM GENTE QUE FALA - ainda que seja meramente desejar feliz ano novo.
Vá plantar batatas, Boris Casoy!

Clique abaixo e veja o vídeo desta 'VERGONHA'!

http://www.youtube.com/watch?v=0H9znNpeFao



Escrito por Dennis às 13h46
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