Blog do DENNIS


O poder da Globo formata até o fato!

Passeio no Rio Tietê e o poder da Rede Globo

Ontem de manhã participei junto com 25 crianças e técnicos do Projeto Alavanca, do Jardim São Remo, de um passeio pelo Rio Tietê, promoção do projeto Navega SP para conscientizar a população paulistana da necessidade de combater a poluição das águas. No site do projeto, há mais informações sobre esta iniciativa.

Mas gostaria de comentar o poder da mídia neste episódio. O barco estava marcado para sair às 9h00 embaixo da Ponte dos Remédios. Chegamos no horário com a turma do Alavanca e lá já se encontravam repórteres da Rede TV, BBC, TV JB e Folha de S. Paulo. Demoramos ainda quase 30 minutos para... esperar a chegada da reportagem da Rede Globo que estava atrasada! Não contente com o atraso, a equipe da todo-poderosa Globo ainda pediu para o pessoal sair do barco e entrar de novo para eles fazerem a tomada de imagens.

O barco saiu atrasado e, por isto, teve o seu passeio encurtado. Normalmente, ele vai até a Ponte do Piqueri e retorna, mas neste dia foi até a Ponte do Anhangüera. Mas o coordenador do passeio, ao explicar os motivos do passeio mais curto para o repórter da Globo (o atraso - que foi motivado pela própria Globo) ainda perguntou se eles precisariam de que o passeio continuasse para tomar mais imagens! É isto mesmo, tanto o atraso no início como a possibilidade do passeio continuar dependiam do interesse da... Globo!!! Os demais membros do passeio e jornalistas não foram consultados sobre esta possibilidade.

O poder da Globo transcende a relação com o telespectador. Ele se capilarizou de tal forma que a própria sociedade produz as informações já no formato global. Já não é mais o jornalista que corre atrás da informação, é a informação que se modela no desejo do jornalista da Globo.



Escrito por Dennis às 16h08
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Por que as esquerdas insistem no discurso universalista?

Diversidade cultural é tema de discussão na USP

Ontem, o Celacc (Centro de Estudos Latino-Americanos de Cultura e Comunicação), instituição que sou o atual coordenador, realizou um importante debate sobre políticas públicas para a cultura - novos desafios, no auditório do Museu de Arte Contemporânea (MAC) na USP. Estavam na mesa Fábio Fornazari, do Ministério da Cultura; Patrícia Rodrigues, da Secretaria Estadual da Cultura; José Roberto Sadek, secretário-adjunto da Cultura de São Paulo; Walter Malta, presidente da Rede Brasil de Gestores Culturais e Henrique Flory, da Editora Arte & Ciência. O evento foi organizado pelos alunos da Turma B do curso de Gestão de Projetos Culturais e Organização de Eventos, do Celacc, sob a supervisão do professor Moisés dos Santos. Fui agraciado com a tarefa de mediar a mesa.

O debate foi bem interessante e expressou alguns dilemas contemporâneos da concepção de cultura e política cultural. Primeiro, a idéia de cultura restrita aos eventos e projetos ou o sentido lato de cultura como direito humano. Segundo, a concepção de política cultural com o Estado promotor, indutor ou mero fiscalizador do mercado cultural. E, finalmente, as relações entre iniciativa privada, pública, promotores e gestores culturais.

A concepção de cultura como um direito humano está expressa na formulação adotada pela Unesco dos DESCs (Direitos Econômicos, Sociais e Culturais) que, em contraponto com a noção clássica de Direitos do Homem amplia a noção de humanização para o direito de expressar a diversidade e a diferença.

Sendo assim, cultura não é um conjunto de bens simbólicos que socialmente seriam legitimados como "culturais" ou não, mas sim uma forma de expressar concepções distintas de humanidade. É um contraponto à noção clássica de universalidade do ser humano, expressa na noção iluminista de direitos humanos, universalidade esta que já externou suas crises, em especial com o ressurgimento de tendências nazi-facistas, em particular no centro do capitalismo global.

Mais ainda o crescimento de movimentos reivindicatórios de grupos minorizados (étnicos, gênero, religiosos, entre outros) e a visibilidade cada vez maior destas diferenças coloca a sociedade cada vez mais na encruzilhada de pensar projetos alternativos dentro de uma realidade de diversidade ou caminhar para um discurso nazista de apartação. As perspectivas políticas universalistas, fundadas em uma concepção iluminista, cada vez mais se incapacitam para apresentar respostas a estas demandas.

Por isto, a discussão de concepções de cultura é uma agenda importante para a reflexão da sociedade contemporânea. É uma pena que as esquerdas brasileiras ainda não acordaram para esta temática e insistem ainda em um discurso velho, desconectado da realidade e que, por esta razão, tenta se sustentar em ações da realpolitik, principalmente quando estas esquerdas conquistam espaços no aparelho de Estado capitalista.



Escrito por Dennis às 15h45
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
    Outros sites
      * MEU SITE
      * BLOG DO LUIS NASSIF
      * PROFA. MARTA MAIA
      * Federação Nacional dos Jornalistas
      * Jornal Le Monde Diplomatique - Edição Brasileira
      * Notícias da África
      * OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
      * Centro de Mídia Independente
      * Agência Latino Americana de Informação
      * BLOG DO MOVIMENTO DEZEMBRADA
      * UP.BLOG (Tecnologia de comunicação, entretenimento e outras informações úteis)
      CELACC - Centro de Estudos Latino Americanos de Cultura e Comunicação