O jornalismo provocativo de Demétrio e Augusto Nunes
Depois do jornalismo investigativo, denunciativo, declaratório, "receiver", estamos assitindo agora mais uma nova modalidade: o jornalismo provocativo. Colunistas abusam do privilégo que possuem de poder expressar publicamente sua opinião para atacar e ofender personalidades que, eventualmente, tenham posições contrárias as suas. Ao invés de estabelecer o debate por meio de argumentos, preferem desqualificar os "adversários" como se estes não tivessem o direito de ter opinião diferente. E vai algum destes decidir processar o veículo ou o colunista na Justiça: será taxado de "censor" ou "inimigo da liberdade de imprensa". Dois exemplos recentes. O colunista Demétrio Magnolli, em coluna no jornal "O Estado de S. Paulo" na sua já cruzada contra as políticas de ação afirmativa, resolveu atacar o professor Kabengele Munanga, da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP, acusando-o de "charlatanismo científico". O prof. Munanga é professor titular da USP, presidente do CEA (Centro de Estudos Africanos) da mesma universidade e autor de diversos livros, goza de reconhecimento internacional. Chamá-lo de charlatão é, no mínimo, uma leviandade. Outro foi o jornalista Augusto Nunes, na revista Veja, famosa por este tipo de provocação. Nunes agrediu o parlamentar Flávio Dino do PC do B/MA, por discordar do projeto de lei apresentado pelo senador de regulamentação das campanhas eleitorais pela internet. O texto de Nunes resvala pelo preconceito mais absurdo associando a origem do parlamentar à idéia de que todos lá são corruptos (alusão a Sarney), sem contar pelos comentários anticomunistas mais bizarros, típicos da histeria da Guerra Fria. Pergunto: que tipo de acréscimo ao debate público garante opinião deste tipo.
Escrito por Dennis às 20h50
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